O meu coração
É poesia
Em avalanche
Oceano em fúria
De rochas em fusão
Sacode tormento e dor
Explode emoção e cor
É aceso vulcão
De lava incandescente
Em insistente erupção
Brilha paixão e calor
Espelha centelhas de luz
Como sol abrasador
Pulsa
Arde
Destila
Sentires em ebulição
Jorra
Correntezas de amor
O meu coração
É poesia
20100321
20100212
Lago de águas mansas
A minha alma é um lago
Tranquilo
Só soprado aqui e ali
Por brisas
Ligeiras
E ondeado ao de leve
Por alados motins
Dos seres que o habitam
Alimentam-no regatos
Sussurrantes
E beijam-no a luz
Das estrelas
E da lua cheia
Busca a cor nas flores das margens
E nas aves que o sobrevoam
Perfuma-se do nascer
E do pôr-do-sol
Enamora-se dos pingos da chuva
E do arco-íris
É espelho do Sol que lhe dá a vida
Em dias de calmaria
Embora salpicado por neblinas
E temporais
É um lago
De águas mansas
A minha alma
Tranquilo
Só soprado aqui e ali
Por brisas
Ligeiras
E ondeado ao de leve
Por alados motins
Dos seres que o habitam
Alimentam-no regatos
Sussurrantes
E beijam-no a luz
Das estrelas
E da lua cheia
Busca a cor nas flores das margens
E nas aves que o sobrevoam
Perfuma-se do nascer
E do pôr-do-sol
Enamora-se dos pingos da chuva
E do arco-íris
É espelho do Sol que lhe dá a vida
Em dias de calmaria
Embora salpicado por neblinas
E temporais
É um lago
De águas mansas
A minha alma
20100111
Geada
Crepita o lume na lareira
Há geada no quintal
Lá fora aperta o frio
Cá dentro geme o meu rio
Não sei se é da chuva ou do vento
Calor não é de certeza
Muito embora brilhe o sol
Uma pessoa também se cansa
Cansam as rimas e a poesia
Cansam as canções e a música
A dança acelera o ritmo
Mas os acordes são os mesmos
Não sei se cante se cale
Se grite ou se me embale
Se fuja ou se me instale
Nem como enfrentar este mal
Há geada no quintal
Lá fora aperta o frio
Cá dentro geme o meu rio
Não sei se é da chuva ou do vento
Calor não é de certeza
Muito embora brilhe o sol
Uma pessoa também se cansa
Cansam as rimas e a poesia
Cansam as canções e a música
A dança acelera o ritmo
Mas os acordes são os mesmos
Não sei se cante se cale
Se grite ou se me embale
Se fuja ou se me instale
Nem como enfrentar este mal
20091216
Palavras
Querem verter-se as palavras
No vórtice do silêncio
Como quem se despe nos versos
Que encerram um poema
Mas o silêncio confrangido e nu
Vestido só do frio que o atinge
Por mais que sinta perto
As palavras que voam no vento
Não as pode comportar
E num gesto gelado e doente
Repele-as cobardemente
Ficando a vê-las pairar
E, no entanto,
a Palavra se fez carne e habitou entre nós!
Feliz Natal!
No vórtice do silêncio
Como quem se despe nos versos
Que encerram um poema
Mas o silêncio confrangido e nu
Vestido só do frio que o atinge
Por mais que sinta perto
As palavras que voam no vento
Não as pode comportar
E num gesto gelado e doente
Repele-as cobardemente
Ficando a vê-las pairar
E, no entanto,
a Palavra se fez carne e habitou entre nós!
Feliz Natal!
20091031
Veneno
De fumo se veste
De noite o dia
Veneno melado
Que a pele arrepia
Sem lei nem pudor
Perdeu-se a vergonha
Em estufa se criam
Bichos com peçonha
Mordem e injectam
Veneno que atordoa
Que dá sonolência
Dá náuseas e vómitos
Descargas eléctricas
Ou causa dormência
De noite o dia
Veneno melado
Que a pele arrepia
Sem lei nem pudor
Perdeu-se a vergonha
Em estufa se criam
Bichos com peçonha
Mordem e injectam
Veneno que atordoa
Que dá sonolência
Dá náuseas e vómitos
Descargas eléctricas
Ou causa dormência
20091019
Aborrecimento
Estou aborrecida
Prostrada
Que foi que me aborreceu?
É este mundo
Uma fantochada
Onde se encontra cada figura
De uma imensa piada!
Cada pigmeu
Com ar de senhor doutor
Que para granjear um favor
Ou para ser engraçado
Se arma em gigante
Adamastor!
Um enfado
Sim, senhor.
E cá estou eu
A soltar um breve lamento
Sem conseguir pôr de lado
Um ar de aborrecimento.
Prostrada
Que foi que me aborreceu?
É este mundo
Uma fantochada
Onde se encontra cada figura
De uma imensa piada!
Cada pigmeu
Com ar de senhor doutor
Que para granjear um favor
Ou para ser engraçado
Se arma em gigante
Adamastor!
Um enfado
Sim, senhor.
E cá estou eu
A soltar um breve lamento
Sem conseguir pôr de lado
Um ar de aborrecimento.
20090915
Dormência
Não me apetece
Escrever
Pensar sequer
Olhar ou fazer
O que quer
Que seja
Ou esteja
Na incumbência
Haja paciência
Que a apetência
Há-de surgir
No porvir
De alguma florescência
Sem violência
Escrever
Pensar sequer
Olhar ou fazer
O que quer
Que seja
Ou esteja
Na incumbência
Haja paciência
Que a apetência
Há-de surgir
No porvir
De alguma florescência
Sem violência
20090725
Aninha-me
Dá-me colo
Acolhe-me
Aninha-me nos teus braços
Protege-me
Mima-me
Segura-me
Porque estou vidro
Frágil
Quase partido
Quase a quebrar
E as tuas mãos suaves
Macias
Sabem acolher
Segurar
Proteger
Aninhar
Acolhe-me
Aninha-me nos teus braços
Protege-me
Mima-me
Segura-me
Porque estou vidro
Frágil
Quase partido
Quase a quebrar
E as tuas mãos suaves
Macias
Sabem acolher
Segurar
Proteger
Aninhar
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