Crepita o lume na lareira
Há geada no quintal
Lá fora aperta o frio
Cá dentro geme o meu rio
Não sei se é da chuva ou do vento
Calor não é de certeza
Muito embora brilhe o sol
Uma pessoa também se cansa
Cansam as rimas e a poesia
Cansam as canções e a música
A dança acelera o ritmo
Mas os acordes são os mesmos
Não sei se cante se cale
Se grite ou se me embale
Se fuja ou se me instale
Nem como enfrentar este mal
20100111
20091216
Palavras
Querem verter-se as palavras
No vórtice do silêncio
Como quem se despe nos versos
Que encerram um poema
Mas o silêncio confrangido e nu
Vestido só do frio que o atinge
Por mais que sinta perto
As palavras que voam no vento
Não as pode comportar
E num gesto gelado e doente
Repele-as cobardemente
Ficando a vê-las pairar
E, no entanto,
a Palavra se fez carne e habitou entre nós!
Feliz Natal!
No vórtice do silêncio
Como quem se despe nos versos
Que encerram um poema
Mas o silêncio confrangido e nu
Vestido só do frio que o atinge
Por mais que sinta perto
As palavras que voam no vento
Não as pode comportar
E num gesto gelado e doente
Repele-as cobardemente
Ficando a vê-las pairar
E, no entanto,
a Palavra se fez carne e habitou entre nós!
Feliz Natal!
20091031
Veneno
De fumo se veste
De noite o dia
Veneno melado
Que a pele arrepia
Sem lei nem pudor
Perdeu-se a vergonha
Em estufa se criam
Bichos com peçonha
Mordem e injectam
Veneno que atordoa
Que dá sonolência
Dá náuseas e vómitos
Descargas eléctricas
Ou causa dormência
De noite o dia
Veneno melado
Que a pele arrepia
Sem lei nem pudor
Perdeu-se a vergonha
Em estufa se criam
Bichos com peçonha
Mordem e injectam
Veneno que atordoa
Que dá sonolência
Dá náuseas e vómitos
Descargas eléctricas
Ou causa dormência
20091019
Aborrecimento
Estou aborrecida
Prostrada
Que foi que me aborreceu?
É este mundo
Uma fantochada
Onde se encontra cada figura
De uma imensa piada!
Cada pigmeu
Com ar de senhor doutor
Que para granjear um favor
Ou para ser engraçado
Se arma em gigante
Adamastor!
Um enfado
Sim, senhor.
E cá estou eu
A soltar um breve lamento
Sem conseguir pôr de lado
Um ar de aborrecimento.
Prostrada
Que foi que me aborreceu?
É este mundo
Uma fantochada
Onde se encontra cada figura
De uma imensa piada!
Cada pigmeu
Com ar de senhor doutor
Que para granjear um favor
Ou para ser engraçado
Se arma em gigante
Adamastor!
Um enfado
Sim, senhor.
E cá estou eu
A soltar um breve lamento
Sem conseguir pôr de lado
Um ar de aborrecimento.
20090915
Dormência
Não me apetece
Escrever
Pensar sequer
Olhar ou fazer
O que quer
Que seja
Ou esteja
Na incumbência
Haja paciência
Que a apetência
Há-de surgir
No porvir
De alguma florescência
Sem violência
Escrever
Pensar sequer
Olhar ou fazer
O que quer
Que seja
Ou esteja
Na incumbência
Haja paciência
Que a apetência
Há-de surgir
No porvir
De alguma florescência
Sem violência
20090725
Aninha-me
Dá-me colo
Acolhe-me
Aninha-me nos teus braços
Protege-me
Mima-me
Segura-me
Porque estou vidro
Frágil
Quase partido
Quase a quebrar
E as tuas mãos suaves
Macias
Sabem acolher
Segurar
Proteger
Aninhar
Acolhe-me
Aninha-me nos teus braços
Protege-me
Mima-me
Segura-me
Porque estou vidro
Frágil
Quase partido
Quase a quebrar
E as tuas mãos suaves
Macias
Sabem acolher
Segurar
Proteger
Aninhar
20090626
Deixa...
Deixa que te abrace
Que sinta em mim a tua pele nua
Que te percorra
Te respire
Te absorva
Deixa...
Deixa que te afague enquanto dormes
Deixa que te mime
Que te faça sonhar nas minhas mãos
Que te fascine
Te domine
Te aprisione
Deixa...
Deixa que te sinta acordar enquanto sonhas
Deixa-te rolar sob o meu corpo
Deixa que te beije
Que te deseje
Que te mordisque a língua
Te provoque
Te ponha em lume
Que te acostume
Te deixe insano
E que depois
Sem mais nem menos
Te deixe à espera
De mais
Deixa...
Que sinta em mim a tua pele nua
Que te percorra
Te respire
Te absorva
Deixa...
Deixa que te afague enquanto dormes
Deixa que te mime
Que te faça sonhar nas minhas mãos
Que te fascine
Te domine
Te aprisione
Deixa...
Deixa que te sinta acordar enquanto sonhas
Deixa-te rolar sob o meu corpo
Deixa que te beije
Que te deseje
Que te mordisque a língua
Te provoque
Te ponha em lume
Que te acostume
Te deixe insano
E que depois
Sem mais nem menos
Te deixe à espera
De mais
Deixa...
20090523
Amo-te
Procuro-te e não te encontro
Mas estendo o braço e encontro o rasto do teu odor
As marcas que deixaste na nossa cama
Depois da madrugada de amor
Deixaste-me a dormir no calor do teu lume
Depois de me incendiares sem queixume
Para acordar nos braços do teu perfume…
Ainda tenho em mim a seda da tua pele
E nos meus lábios o sabor do teu mel…
Oh… amo-te!
Mas estendo o braço e encontro o rasto do teu odor
As marcas que deixaste na nossa cama
Depois da madrugada de amor
Deixaste-me a dormir no calor do teu lume
Depois de me incendiares sem queixume
Para acordar nos braços do teu perfume…
Ainda tenho em mim a seda da tua pele
E nos meus lábios o sabor do teu mel…
Oh… amo-te!
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