20080731

Como ave

Como ave sempre livre
Que voa segura no azul do céu
Planando no ar e sentindo-o seu
Assim a minha alma se embala
Ao som da música em voo rasado
Por entre um arco-íris perfumado
Valsejando tal canção
Que se extasia num refrão

Depois pousa em sombra fresca
A beber o descanso merecido
Serena as asas cansadas
Que pela brisa levadas
Ao ar puro apetecido
Da fragrância da paixão
Por demais arrebatada
Em intensa enlevação

20080722

Desenho-te

Rabisco-te em folhas de papel
Desenho-te em tranças e laços de cordel
Sonho-te as formas
Contorno-te as normas
Revisto-te de imagens
Pinto-te de paisagens
Reproduzo-te em cores
Esqueço-te as dores
Cristalizo-te os momentos
Apago-te os lamentos
Limo-te as arestas
Circundo-te de festas
Vida...
Feita poema

20080714

Às voltas

Deixei-me embalar pelo marulho das ondas
Adormeci
E acordei

Senti o apelo do sol
Aqueci
E mergulhei

No som do vento enrolei a voz
Solfejei
E emudeci

Na tua pele quente e macia
Rebolei
E me perdi

20080706

Instantes

Olho em torno de mim
Ervas, mato, giestas, pinheiros…
Carrascas caídas, pinhas, pedras…
Sol, nuvens, vento…

A natureza apela, chama, sussurra
A inebriante música das árvores
Canta calma e paz

O som do vento nas ramagens
Convida à contemplação
À reflexão
A esquecer a máquina do tempo

Os raios de sol
Sobre as pedras do outeiro
Me falam de Ti