20080624

Ensaio de poema quente

Pensei em escrever um poema quente como o Verão
Feito de rimas ricas em cachos de luar
Em que incessante falasse de calor e de amor
Mas uma lágrima tentou matreira espreitar

Em vez de calor e lua cheia
A mente abalou até outras paragens
Flutuou ao sabor de outras aragens
E se enredou toda numa teia

E mesmo se ao sonho eu sou dada
Quer esteja muito ou pouco inspirada
Sorvo aquela núvem que me atinge
E padeço o universo da esfinge

E respiro, inspiro, suspiro, transpiro
E uma dor de cabeça me abate como um tiro
Febre de um Verão de jeito incerto
Ou de agachado Inverno ainda perto

20080616

Meus lábios em tua pele

Desenho os meus lábios na tua pele nua
Suavemente te percorro
Sem ousar te acordar

A beleza de poder dizer-me tua
É o que vem em meu socorro
Para despudorada te amar

O prazer de te tocar
É húmus que alimenta
Um terreno em pousio

O acto de te beijar
É o leito que sustenta
O nosso caudaloso rio

20080605

O teu beijo

Anseio pelo teu beijo ao fim da tarde
Suave
Húmido
Quente
Ardente

Pelo teu beijo eu anseio
Como um oásis
No meio de um deserto

O teu beijo suave
Acalma a minha tempestade de areia

O teu beijo húmido
Sacia a minha sede de loucura

O teu beijo quente
Reanima o meu corpo partido

O teu beijo ardente
Derrete o meu coração, já ele de manteiga

E toda eu me desfaço
Ao toque do teu abraço
E me dispo do cansaço
... Sou tua!