20080429

Silêncio

O silêncio plana
Em fresca brisa
E embala suavemente
Vocábulos por desenhar

Em baixo voo nocturno
Chove como melodia
Duma leveza dormente
Depondo ataraxia
De nardo em alabastro
Essência a flutuar

Fumo de aromas solene
Sopro de mãos feiticeiras
Anestesia da alma
Pérola de sonho e luar

Silêncio...
Arranco do teu piano
As notas para eu tocar

20080425

Calem-se as palavras!

Calem-se as palavras
Ocas, vazias,
Desprovidas da razão.

Dúbias, enganosas,
Que picam no coração.

Audazes, mentirosas,
Que nos atiram ao chão.

De mel, mas venenosas...

Calem-se as palavras!
Quero fazer silêncio...

20080422

Não me importo

Não me importo de acordar cedo para trabalhar;

Não me importo de deitar tarde por ter de estudar;

Não me importo que desabafem comigo pois gosto de ajudar;

Não me importo de ser sensível ao ponto de, por tudo e por nada, chorar;

Não me importo que o João tenha pensado em me mimar;

E não me importo de ter que, este desafio, passar.

Assim,

Bandeiras;
Outono;
Miki;
Eduardo;
Joaninha;
e Donagata

seis coisas que não se importem de ter ou de fazer, deverão indicar.

20080418

Vem

Vem
Entrelaça os teus dedos nos meus
E sussurra-me ao ouvido
Aquelas palavras que eu gosto de ouvir

Morde-me a orelha
E percorre comigo
As etapas do percurso por descobrir

Vem
Que um arrepio me percorre a pele
Pois tu és meu cata-vento
Mas também a pedra em que assento
E eu preciso de ti

20080413

Beija-me!

Beija-me
Oh, beija-me!
Com agrado
Com volúpia
Prende-me nos teus braços
Faz de mim
Teu corpo
Tua alma
Teu anseio
Teu sopro matinal

Beija-me
Perde-me de amor
Pois nos teus braços
Eu me quero perder
Para me encontrar
Em ti!

20080408

Fuga(z)

Perpasso
Vidas sofridas
Artes escondidas
Caminhos
Atalhos
Retalhos de partidas
Longe
Que se faz perto
Perto
Tão perto que se distancia
Olhares em que se não via
Nem sol
Nem lua
Nem nada que sorria
Alvores perdidos
E uma foz que se anuncia

20080405

Mexes comigo

Quando me tocas,
Me mexes
Mexes comigo.
Acuso o perigo
Nos beijos trocados,
Desabridos,
Fogosos,
Tão apaixonados
Que me podes ler,
E assim saber
Que ao me tocar
E ao me mexer
Mexes comigo!

20080403

Um arejo

Pensamentos profundos
Um arranhar de sub-mundos
Visões
Alucinações
Ilações
Um desabar de sensações
Que estremecem
E tecem
Teias
Marés cheias
Luas
E ruas
Ao som de batuques
Um ribombar
De tambores
Motores
A estalar
No ar
No mar
Eu e tu
Em mundos
Profundos

20080401

Mimo

Queres mimo
Não dormes sem ele
Procuras
Pedes
Insinuas
Bates à porta
Descaradamente
Insidiosamente
Imploras
Suplicas
Pronto
Vem
Podes entrar