31.10.09

Veneno

De fumo se veste
De noite o dia
Veneno melado
Que a pele arrepia

Sem lei nem pudor
Perdeu-se a vergonha
Em estufa se criam
Bichos com peçonha

Mordem e injectam
Veneno que atordoa
Que dá sonolência

Dá náuseas e vómitos
Descargas eléctricas
Ou causa dormência

19.10.09

Aborrecimento

Estou aborrecida
Prostrada
Que foi que me aborreceu?

É este mundo
Uma fantochada
Onde se encontra cada figura
De uma imensa piada!

Cada pigmeu
Com ar de senhor doutor
Que para granjear um favor
Ou para ser engraçado
Se arma em gigante
Adamastor!

Um enfado
Sim, senhor.
E cá estou eu
A soltar um breve lamento
Sem conseguir pôr de lado
Um ar de aborrecimento.

15.9.09

Dormência

Não me apetece
Escrever
Pensar sequer
Olhar ou fazer
O que quer
Que seja
Ou esteja
Na incumbência
Haja paciência
Que a apetência
Há-de surgir
No porvir
De alguma florescência
Sem violência

25.7.09

Aninha-me

Dá-me colo
Acolhe-me
Aninha-me nos teus braços
Protege-me
Mima-me
Segura-me
Porque estou vidro
Frágil
Quase partido
Quase a quebrar
E as tuas mãos suaves
Macias
Sabem acolher
Segurar
Proteger
Aninhar

26.6.09

Deixa...

Deixa que te abrace
Que sinta em mim a tua pele nua
Que te percorra
Te respire
Te absorva
Deixa...
Deixa que te afague enquanto dormes

Deixa que te mime
Que te faça sonhar nas minhas mãos
Que te fascine
Te domine
Te aprisione
Deixa...
Deixa que te sinta acordar enquanto sonhas

Deixa-te rolar sob o meu corpo
Deixa que te beije
Que te deseje
Que te mordisque a língua
Te provoque
Te ponha em lume
Que te acostume
Te deixe insano
E que depois
Sem mais nem menos
Te deixe à espera
De mais
Deixa...

23.5.09

Amo-te

Procuro-te e não te encontro
Mas estendo o braço e encontro o rasto do teu odor
As marcas que deixaste na nossa cama
Depois da madrugada de amor

Deixaste-me a dormir no calor do teu lume
Depois de me incendiares sem queixume
Para acordar nos braços do teu perfume…

Ainda tenho em mim a seda da tua pele
E nos meus lábios o sabor do teu mel…

Oh… amo-te!

17.4.09

Manias

A Joaninha deu-me um prémio
Que coloquei lá ao fundo…
Fica aí em exposição
Para que o veja todo o mundo

Ela bem pensou em me premiar
Mas quer que eu siga as regras do jogo
Ainda que seja a brincar
Às vezes brinca-se com o fogo…

Uma das regras é referir
Cinco manias, apegos, ou obsessões que eu tenha.
Porque me apetece fugir
Uso um bocado de manha

É uma das minhas manias
Detestar que me ditem qualquer regra,
Por isso o desafio fica a meio
Se não ainda a moda pega.

Dormir no sofá com a lareira acesa
É uma outra mania
Se adormeço cansada à noite
Corro o risco de só acordar de dia

Uma massagem nas costas à noite
É uma obsessão
Que se torna mais relaxante
Com uma boa dose de paixão

Mimos ao acordar
É um hábito, um apego
Para correr bem o dia
Para que haja sossego

Internet é outra coisa
Com que já não sei viver
Mas não é das mais saudáveis
Nem das que mais fazem crescer…

18.3.09

Dormir nus

Nus
Dormir nus
Abraçados
Aconchegados
Um sono reparador
Salgados
Saciados de amor
Nus
Enamorados
Cansados
Abraçados
Dormir aconchegados
Mas nus
Destapados
É acordar constipados!

14.2.09

Bebidas inebriantes

Teu corpo molda-se ao meu
E o meu corpo ao teu
Juntos no lume de um abraço
E sem qualquer embaraço
Se saciam um no outro

Comungam corpos e almas
Bebidas inebriantes
Em manhãs suaves e calmas

3.2.09

Foi o frio

Foi o frio que me fustigou
E me vai impelindo ao quentinho

Mesmo se tu és o meu abrigo
E os teus braços o meu ninho
Os teus olhos sedução
Os teus lábios o meu vinho
E o meu corpo arde em paixão...

O frio marcou presença
Ditou a sua sentença
Emudeceu a caneta
Secou a inspiração
Deixou-me à espera do verão

13.1.09

Pauta

Entre a música que me embala
Uma melodia me canta
Um eco acorda em verbo
Um tom se torna em cor

Um presente se conjuga
Uma saudade se espanta
Um sol que me dá sorriso
Uma canção de amor

Espero mais que um solfejo
Em cada gota de beijo
Numa sinfonia de abraços

Olhos nos olhos ensejo
Afecto e carinho almejo
Na pauta de doces traços

31.12.08

Só o amor

Só o amor
Tem a força para transformar o mundo

As suas cores
Revelam-se em muitas tonalidades
Diferentes
Abrangentes
Fortes
Suaves
Luminosas
Transcendentes

Cada tom
É um dom
Pedacinho de uma aura
Protectora
Redentora
Que edifica
Que a todos pacifica

Ama
Com amor
Ágape
Philia
Eros...
Ama!
E do mundo se apartará o choro, a dor
O medo, o torpor...
E toda a Natureza
Cantará beleza

E o tempo espelhará nova cor
Em cada bocadinho de Amor!

Bom Ano!

18.12.08

Amor e uma Cabana

O frio espreita
E a neve se avizinha
Que bom que é sentir
O aconchego dos teus braços
E o toque da tua pele
Em ti aquecer
Dormir e acordar
Respirar-te
Saber-te
Amar-te
Sem que nos falte
Amor e uma Cabana


(Feliz Natal!)

28.11.08

Negrura

O clarão ilumina a noite
monstro algoz
como ladrão que pela calada
da noite pesada de sono
rouba e chacina
domina a treva
pavor irrompe e pranto
sem manto que valha na dor
Depois é tarde
é manhã cedo
e o medo dá lugar
ao tremor das pernas
as mãos não sabem
mandar o corpo
não obedece
aquece o dia
a melodia é escura
que se pega entranha
tamanha essa cor
o odor é fumo
é cinza é pó
é negro é dó

10.11.08

Carícias nocturnas

Mãos que te percorrem
Mãos que me percorrem
Desejos que despertam
Lábios que se unem
Em beijos molhados
Corpos transpirados
Carícias nocturnas
Dia de sol
Mesmo que com chuva

26.10.08

Tenho frio

Tenho frio, estou gelada
Envolve-me no teu abraço
Para que esqueça o cansaço
Mergulhada no teu peito

És o berço que me embala
O cobertor que me aquece
Que me circunda de calor
Sempre que o dia escurece

Segreda-me o teu amor
Percorre-me de energia
Aquieta-me a vontade

Invade-me do teu odor
E amanhã no novo dia
Brilharei tranquilidade

6.10.08

Serenar

Preciso do teu colo
Encostar a cabeça no teu peito
Sentir a tua mão nos meus cabelos
E o teu aconchego no leito

Afaga o meu corpo dorido
Sê sempre o meu porto seguro
Serena este mar tão revolto
Dá-me a calma e a paz que procuro